Liderados pela rapariga e pelo alto homem, este grupo apresentava tudo menos uniformidade, quer pela maneira de vestir, quer pela maneira de pensar… nem sequer pelas armas que transportavam. A rapariga, ruiva, embora tivesse um ar bastante jovem e atraente, que condizia com a sua idade, uns meros 24 anos, tinha uma expressão severa e uma cara desgastada pela fatiga, com pesados círculos negros debaixo dos olhos. Os seus cabelos ruivos, que lembravam chamas vivas de um fenomenal mas mortal incêndio, caíam até pouco abaixo dos ombros em ondas; os seus olhos cinzentos pareciam brancos, em contraste com os círculos que os envolviam. Ao contrário do seu irmão de armas, que exibia orgulhoso o seu peito musculado e mutilado, vestia o que parecia ser um colete anti-balas "cortado" a meio por um coldre que armazenava dezenas de cartuxos de munições, pois por mais natural que possa ser para um guerreiro mostrar as suas feridas de guerra de maneira tão efusiva, seriam um perfeito ultraje e uma falta de decência para uma guerreira o fazer. Tinha também o que em tempos fora umas calças em ganga, mas o estado de degradação destas, cheias de buracos, rasgões e nódoas de sangue seco, faziam-nas passar por trapos e não roupa; por outro tinha calçadas um par de luvas negras, bastante bem tratadas quase imaculadas, tal como as suas botas – engraxadas e brilhantes e com aspecto novo – e a sua dogtag – que pendia solitariamente do seu fino e delgado pescoço, uma única chapa, o que era bastante invulgar, já que regra geral usavam-se duas. Por sua vez o seu camarada usava unicamente umas calças de padrão camuflado, umas botas – que embora semelhantes estivessem em péssimo estado – trazia também ao pescoço um objecto único, uns óculos de aviação (que pertenceram em tempos ao seu irmão, que fora o último a desempenhar tal função, morrendo ele, e com ele a aviação). Em contraste com a rapariga que tinha um cabelo delicado e belo, este envergava uma surpreendente juba negra, um conjunto barba e cabelo, que o tornavam no mínimo peculiar. Trazia o cabelo um pouco mais curto, a altura dos ombros, e mais de metade da cara escondida por uma espessa barba. |
Leiria
Por inúmeras ruas (cujo nome nem me preocupo decorar) passeio alegremente. Estou no meu refugio, é aqui que se encontra a minha paz. Posso não ter viajado muito, poderia até nunca ter viajado, mas sei que este é o meu exílio, o meu santuário. Por varias vezes aqui parei e por um igual numero de vezes me apaixonei, por ninguém mas por todos. Posso não conhecer ninguém, nem sequer ser ninguém, mas sinto-me bem. Aqui sinto-me autentico, quase como estivesse envolto por uma aura, algo que me separa de mim próprio e dos meus problemas. Quase como se de repente o mundo desaparece-se deixando-me para trás num lugar maravilhoso...único...estranho mas autentico. Leiria Não nasci aqui, muito menos aqui vivi, mas sempre que cá venho renasço, sinto que pertenço a este lugar. Escrevo estas linhas sobre o olhar atento de Francisco Lobo, um poeta local, senhor de grave olhar imortalizado sobre a forma de estátua e praça (que herdou o mesmo nome). Deixo-o guiar a minha caneta (na realidade ...
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